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Roberto Numeriano lança novo romance neste sábado, em Caruaru

A Livraria Imperatriz, no Shopping Difusora, em Caruaru, será palco de lançamento do mais novo romance do jornalista e escritor Roberto Numeriano  “Folhas Mortas”. A noite de autógrafos começa às 20h deste sábado (1º),  e vai contar com um debate entre o autor e o público, intitulado “A Literatura no Tempo da Cólera”, com mediação do professor e crítico literário Gilvano Vasconcelos. Tendo como painel de fundo a narrativa de Numeriano, o objetivo é discutir a função social da literatura no contexto social e político e ideológico de sociedades ideologicamente polarizadas por posições radicais. Com apoio público do Funcultura, da Fundarpe, o romance “Folhas Mortas” tem 480 páginas e foi editado por Tarcísio Pereira. Conta com ilustrações do artista plástico Isac Vieira e o preço de capa é R$ 20.

De acordo com Numeriano, a ideia de escrever “Folhas Mortas” nasceu de uma conversa de trabalho, durante a famosa pausa do cafezinho. Ele havia lido a dissertação de mestrado de um amigo, intitulada “Jornalismo à Espanhola”, que analisa a cobertura jornalística sobre a epidemia da gripe espanhola no Recife. Conversa vai, conversa vem… Um certo dia, durante um desses papos, o autor conta que teve uma espécie de “estalo do Padre Vieira”, pois viu na dissertação um romance em torno da gripe, com um enredo ambientado no Recife da época do surto da chamada influenza, a qual causou a morte de aproximadamente quatro mil pessoa na cidade, em dois meses. Para uma cidade com cerca de 270 mil habitantes (a população aproximada de Caruaru, hoje), tratava-se de uma espécie de apocalipse.

Essa inspiração foi nos idos de 2011. De lá até chegar aqui, muita pesquisa e redação ocuparam o tempo do autor, até a conclusão da obra, em 2018. “Folhas Mortas” é um romance de época, ou, como os especialistas e críticos literários referem, uma narrativa do gênero histórico. O cenário de época é o Recife nos anos 1917 e 1918, quando a cidade ainda era um ambiente bucólico em processo de modernização. Há ficção pura (produto exclusivo da sua criatividade) e há a recriação de muitos eventos reais do mundo social, político e cultural da época.

Amor e Ideal- O fundo ficcional narra a história de amor entre Francisco das Chagas, o Chico, e Isabela Macedo de Albuquerque, a heroína Belinha. Ele, um padioleiro do Hospital Pedro II. Ela, uma professora e filha de um dos homens mais ricos do estado. É esse amor nos tempos da mortal gripe espanhola que reveste a trama entre os dois protagonistas. Os eventos calcados na realidade recriam, por sua vez, alguns momentos da vida do então jovem Gregório Bezerra, o gazeteiro e pedreiro “Grilo”, amigo de Chico que sonha em mudar o mundo e dá seus primeiros passos na luta política.

Toda a narrativa é desfiada por Raquel e Olga, neta e avó, as descendentes de Isabela que tentam descobrir o que de fato ocorreu naqueles dois anos (1917 e 1918), a partir da leitura de um diário entregue por um anônimo. As duas buscam desvendar as memórias desse passado, o qual criou um enigma de família que envolve o destino de Chico e Isabela em meio aos dias trágicos da epidemia, assolando a vida e os sonhos de toda uma cidade e de muitos corações. Há mesmo elementos de mistério e suspense no romance de Numeriano, ainda que a história não seja do gênero policial.

O recurso da narrativa em flashback não é absoluto na trama. Em outras palavras, enquanto Raquel e Olga contam livremente (como um típico narrador onisciente) o que leem no diário ao longo dos meses, em alguns momentos os personagens narram, eles próprios, suas lutas e interesses, desejos e desilusões. As duas protagonistas do presente se “apropriam” da voz do autor e assumem o controle desde o início do romance, provocando o leitor a participar de suas investigações. Segundo Numeriano, “a neta e a avó metaforicamente tecem, por assim dizer, uma longa peça a partir de um novelo de muitas pontas, realizando uma espécie de arqueologia dos sonhos das tantas vidas que o diário conta entre apontamentos, cartas, poemas, artigos e notícias de época”.

Gregório rapaz – “A rigor, o diário que narra o passado ao mesmo tempo em que é narrado pelos personagens nas suas interações, não tem nada de “morto” nas suas folhas. Pelo menos foi o que senti ao concluir o romance”, observa o autor. “Mas como já escreveram que ‘elogio em boca própria é vitupério’, fico por aqui nesta observação, a qual, em si mesma, não será ou seria necessariamente elogiosa”, diz numa ponta de autocrítica.

Ele chama a atenção ainda para o papel de um dos três principais protagonistas do passado na trama, o então jovem pedreiro e gazeteiro Gregório Bezerra, o “Grilo”, fugitivo da seca que castiga o sertão e agreste pernambucanos. Amigo de Chico, ele é a voz racional diante dos sonhos apaixonados do padioleiro, mas nem por isso estará imune aos ideais de um mundo de justiça social que logo cedo lhe conquistam o coração e a alma enquanto luta para sobreviver em meio à miséria e abandono, como órfão e analfabeto.

“Espero que essa história tecida entre o passado e o presente, vivida pelo olhar apaixonado de Isabela e Francisco, bem como pelos ideais de Gregório, ganhe o coração e a mente de cada leitor”, comenta o escritor, também autor dos romances “Nuvens Vermelhas”, “As Águas do Fim do Mundo” e “Céu de Santo Amaro”.

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