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Moda circular ganha novo espaço no Recife com brechó sustentável

18 minutes ago
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O Recife passa a integrar, a partir de 1º de outubro, a rede internacional de lojas de segunda mão da Humana, organização que atua com coleta, triagem e comercialização de roupas em diferentes países. A Loja Humana Recife abre as portas ao público às 9h, na Rua do Hospício, 179, na Boa Vista, com a proposta de unir moda acessível, economia circular e impacto social.


A nova unidade é a segunda capital brasileira a receber uma Loja Humana com o conceito de brechó sustentável, depois de Salvador, onde a operação da marca começou no país. No exterior, a rede Humana People to People está presente em 49 países, em cinco continentes, e mantém atividades relacionadas à coleta e comercialização de roupas de segunda mão em diferentes mercados da Europa, África e Américas.


No Recife, a operação nasce integrada ao Repense Reuse, projeto da Humana Brasil responsável pela coleta de têxteis pós-consumo. As roupas chegam por meio de coletores instalados na Região Metropolitana e no interior de Pernambuco e seguem para o Centro de Triagem da Imbiribeira, onde passam por seleção e preparação antes de chegar às araras da loja.


“A chegada das Lojas Humana ao Recife representa muito mais do que a abertura de novos pontos de venda. Estamos falando de geração de empregos formais, fortalecimento da economia circular e ampliação do acesso da população a uma moda sustentável e acessível”, afirma Ivanir Matos, gerente geral do Repense Reuse.


m dos produtos, mas também na própria experiência dentro da loja. “A sustentabilidade está no produto, mas também na forma como pensamos a loja. O espaço foi planejado para receber diferentes públicos e mostrar que a moda circular pode fazer parte do dia a dia de maneira simples e agradável”, acrescenta.


Moda circular começa antes da arara

O funcionamento da Loja Humana começa muito antes da chegada do consumidor. As peças são depositadas pela população nos Pontos de Entrega Voluntária do Repense Reuse e seguem para o Centro de Triagem da Imbiribeira. Ali, os materiais passam por triagem, classificação e preparação para definir a melhor destinação.


As peças selecionadas para venda chegam à loja e passam a integrar um ciclo comercial de três semanas. A dinâmica permite que o cliente encontre maior variedade no início do ciclo ou espere pelos dias seguintes, quando os preços diminuem.


“Quando uma pessoa coloca uma roupa em um dos nossos pontos de coleta, começa ali uma nova etapa para aquela peça. Ela passa por triagem, é preparada e pode voltar para o mercado. É essa lógica que está no centro da economia circular: prolongar a vida útil do que já existe e evitar que materiais ainda aproveitáveis sejam simplesmente descartados”, afirma Ivanir.


Para a maior parte das roupas, o ciclo começa com preço de até R$ 35. A partir da primeira semana, os valores passam por reduções diárias e podem chegar à faixa de R$ 4 e, nos últimos  dias do ciclo. Bolsas, calçados e determinadas peças podem seguir uma precificação específica.


“Temos uma dinâmica de preços que permite ao cliente escolher entre encontrar uma variedade maior no começo do ciclo ou acompanhar a redução dos valores ao longo das semanas. Isso também ajuda a manter as peças em circulação e fazer com que diferentes públicos tenham acesso à loja”, explica.


O modelo já é utilizado pela Loja Humana em outras unidades. Em Salvador, por exemplo, a organização explica que o sistema de preços variáveis é parte da estratégia para ampliar o acesso à moda de segunda mão e manter as peças em circulação.


De roupa doada a impacto social


A lógica da Loja Humana vai além da revenda. Os recursos obtidos com a comercialização das peças são destinados aos projetos sociais apoiados pela Humana Brasil, fazendo com que o consumo de segunda mão esteja conectado também ao desenvolvimento social.

O modelo adotado pela organização combina três dimensões: ambiental, econômica e social. De um lado, amplia o tempo de uso de roupas e outros produtos têxteis. De outro, cria empregos e movimenta uma cadeia que envolve coleta, triagem, logística, varejo e negócios de segunda mão. Por fim, transforma parte dos recursos gerados pelas vendas em apoio a projetos sociais.


“Quando uma peça é vendida na Loja Humana, o resultado não termina na compra. Existe um impacto que continua, porque os recursos gerados pela comercialização ajudam a financiar projetos sociais apoiados pela organização. É uma forma de conectar uma escolha de consumo a uma cadeia maior de impacto”, ressalta Ivanir.


A própria Humana People to People destaca a coleta e venda de roupas de segunda mão como uma das frentes de sua atuação, com o objetivo de prolongar a vida útil dos produtos, reduzir resíduos e gerar recursos para iniciativas de desenvolvimento. Em 2025, a rede informou ter coletado 140 mil toneladas de roupas e gerado 23,1% do financiamento de seus projetos sociais a partir do comércio de roupas de segunda mão.


No Brasil, o Repense Reuse atua justamente nessa conexão entre coleta, reutilização e impacto social. Segundo a Humana Brasil, as peças coletadas passam por triagem e são destinadas à venda nas Lojas Humana, enquanto os recursos das revendas apoiam projetos da organização.


Recife entra no circuito da moda de segunda mão

A chegada da unidade também amplia uma cadeia que já vinha sendo construída em Pernambuco por meio do Repense Reuse. Além de abastecer a nova loja, o Centro de Triagem do Recife trabalha com a venda de peças em atacado para brechós e bazares da Região Metropolitana, fortalecendo pequenos empreendedores que atuam no mercado de segunda mão.


A Loja Humana passa, assim, a ocupar mais uma etapa dessa cadeia, aproximando o consumidor final das roupas coletadas e preparadas pelo projeto. Para quem compra, a proposta é o consumo consciente e a sustentabilidade. Para quem doa, significa ampliar as possibilidades de reutilização de roupas que poderiam seguir para o descarte. Para a organização, a venda se transforma em recurso para sustentar iniciativas sociais.


“Não estamos falando apenas de uma loja. Existe uma cadeia de economia circular e sustentável por trás dela, que envolve coleta, triagem, logística, e também oportunidades de novos negócios para quem deseja empreender, atuando no mercado de roupas de segunda mão”, afirma Ivanir.


A operação inicial da Loja Humana Recife terá 16 funcionários. Somados aos dez profissionais do Centro de Triagem, são 26 empregos diretos com carteira assinada relacionados à operação local.

“Recife tem uma importância estratégica para essa expansão porque já contamos com uma estrutura de triagem na cidade. A abertura da loja aproxima essa estrutura do consumidor e amplia as possibilidades de circulação das peças que chegam pelo Repense Reuse”, acrescenta.


Uma experiência de compra com propósito


A abertura da loja também representa a expansão, para a capital pernambucana, de um modelo que já encontrou público em Salvador. A Humana Brasil começou a operar o Repense Reuse no país em 2021 e, desde então, vem ampliando a estrutura de coleta e reutilização de têxteis.


A proposta da Loja Humana é inserir a moda de segunda mão no cotidiano do consumidor sem abrir mão da qualidade, variedade e experiência de compra. A diferença está no destino que existe por trás de cada peça: antes de chegar à arara, ela passou por uma cadeia de coleta e triagem; depois da venda, o recurso gerado contribui para projetos sociais.


“Queremos que as pessoas entrem na loja pela Qualidade das roupas, pelos preços atrativos, pela curiosidade ou pela vontade de empreender e, a partir dessa experiência, também conheçam todo o propósito que existe por trás da operação. A roupa é o ponto de partida para uma conversa maior sobre reutilização, consumo consciente e impacto social”, diz Ivanir.


Com a nova unidade, Recife passa a integrar uma rede internacional que transforma roupas usadas em produtos com nova possibilidade de circulação e conecta o consumidor consciente, sustentabilidade e desenvolvimento social.


“Estamos muito felizes em chegar ao Recife porque acreditamos que existe aqui um público que pode se identificar com essa proposta. Nosso objetivo é ampliar a circulação de roupas, fortalecer a economia circular e, ao mesmo tempo, fazer com que essa operação contribua para projetos que geram impacto social”, conclui Ivanir.



 
 
 

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